abóboras e galáxias

“Toda elevação do tipo “homem” foi, até o momento, obra de uma sociedade aristocrática – e assim será sempre: de uma sociedade que acredita numa longa escala de hierarquias e diferenças de valor entre um e outro homem, e que necessita da escravidão em algum sentido”.

Nietzsche

Quando o pistoleiro levanta o cano da arma, por trás do raciocínio mineral dele há um contrato metafísico que o autoriza a ceifar a vida de quem que seja. Veja bem: a astutueza do lúpus operandi é tamanha qual a de um lúmpen faminto: perdeu-se tudo, até a humanidade, resta o instinto e um paradigma canino, animalesco que não distingue nobreza (ou justiça) de covardia.

De um desvio do seu ombro de trabalhador, cidadão honesto, mire e veja a nossa presidente obrigando assalariados de merrecas a pagar imposto de renda em detrimento de milionários e bandidos bem postos em cantos estratégicos do país: tudo é lobby. (O “Quinto dos Infernos”).

O velho alemão maluco nos mostra que eternos retornos podem ser bem amplos. Afinal, isto que ocorre nas prisões, nos postos fiscais, nos estádios, nos hospitais (paremos por aqui) onde o estado paralelo desmanda e abafa a necessidade cidadã de direito, criando uma nova comunidade, onde o que manda é a força da bala, dos tratores de esteira, dos helicópteros… Tudo é barbárie, tudo é espada, tudo é punhal, embora mãos sujas de sangue mantenham corações brancos. Lady MacBeth, lady Dilma.

Tudo é covardia!

É como olhar pro afilhado faminto e, em nome, da fome, devorá-lo: “só sobrou você”.

Aguenta!

“O pensamento é uma mentira, como o amor e a fé. Pois as verdades são fraudes e as paixões, odores; e, no final das contas, a escolha está entre aquele que mente e aquele que fede”. (Cioran).

As textualidades trazem um conjunto de marcos; até a cosmogonia é recurso metanarrativo, com as teses do Big Bang, que cria ou do Grande Filtro, que muda.

Há os ciclos, mas é mera forma analítica, afinal já abandonaram tantas (embora o Barroco e Descartes ainda sejam estética e suporte de pensamentos timbiras), mas há um “em curso”; se se divide e nomeia para entendê-lo, é que a forma de pensamento ainda esgrima com as possibilidades.

Vive-se o básico, malmente mata-se a fome de poucos e diminui-se a dor de menos ainda.

Mas quando o pão e o azeite são tirados de “Eternos Atenienses” empanturrados, porém, famintos, restam-lhes as unhas e os dentes para atacar os inimigos.

Os porcos fuçam e as nuvens passam; há uma miséria em Pedrinhas e Rigel Kentaurus devoraria o Sistema Solar mais fácil que Saturno devora seus filhos. Lógica formal, diria Ozi.

A carreta de abóboras sai da roça torta e desequilibrada, mas chega ao destino arrumada.

A roça continua torta e desequilibrada.

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Um comentário sobre “abóboras e galáxias

  1. Do livro de stuart walton : uma história das emoções ( comprado por dez reais num quiosque do São Luis shoipping perto da Leitura, bela pedida entre outros) “Mesmo antes da emoção do medo, já havia o medo”. Do medo e a intimidação vem a raiva, daí à covardia do assassinato. O ser humano não gosta de quem o olhe de igual para igual. Gosta de quem o olhe de baixo para cima , (para que possa humilhá-lo) e de cima para baixo ( para respeitá-lo e se sentir protegido).
    Bela tradução sua do Charlie, do je suis e de seus respingos por cá
    .

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