As declarações de Lula

Eu luto com muita concentração contra um sentimento de perda e desolação que me absorve em ocasiões especiais. Por exemplo, quando ouço/leio o discurso e analiso as ações do governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral. Aquele uso dos helicópteros, a postura bélica e de um conservadorismo e de um elitismo infame com relação aos protestos. Dá-me medo, mais do que tenho dos coronéis do meu Estado, nos estertores da ópera. Mas Cabral é uma nova liderança nacional, está a todo vapor. “Sobreviverão as cidades submersas?”

Outra coisa que me lança no abismo Cioraniano são declarações como essa do ex presidente Lula, que acabo de ler na Folha: “Nós petistas conquistamos de andar de cabeça erguida nesse país, de ter orgulho da nossa camisa vermelha, da nossa estrela. E quando alguém nosso errar, nós mesmos punimos. Nós não precisamos que os outros venham dar lições na gente. Não precisamos que formadores de opinião pública fique ditando regra daquilo que a gente sabe fazer e muito bem“.

Será que o Lula acha que o PT e os petistas e ele mesmo estão acima da lei, do juizado comum? Será que eles são os novos “intocáveis”? Será que não cabe a ninguém, a não ser a eles mesmos, a avaliação da própria atuação?

Na mesma matéria, mais na frente, Lula julga (ele pode julgar tudo e todos) as manifestações, as críticas aos políticos como atitude de irresponsáveis, de anarquistas, enfim, de desqualificados, que não tem coragem de entrar na política e combater os maus políticos. Então todos os brasileiros que estiveram nas ruas não passam de lumpens incapazes de compreender a grandiosidade do mundo da política, isso no fulcro da ótica lulista. São todos uns imbecis, só eles “são o partido das pessoas honestas”. Só nos resta uma volta dupla na chave de casa ao anoitecer e um livro de Baudelaire.

Mas o que me faz ter um brilho de sopro para entoar algum solo no trompete da minha filosofia é um viés de análise que abre uma nova onda meta-narrativa, que me faz lembrar da velha teoria da ação comunicativa de Habermas no meio de tanta pós-modernidade.

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